Mostrar mensagens com a etiqueta Puerto Ospina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Puerto Ospina. Mostrar todas as mensagens

domingo, 27 de março de 2011

Temporada Puerto Ospina III - A despedida

Pois é... a nossa permanência em Puerto Ospina tinha prazo de validade e depois de tantas aventuras tivemos que regressar a Bogotá.
Estar em Ospina permitiu-nos adquirir experiência de Missão, experiência de casal e experiência de oração! Sabemos que poderíamos ter feito muito mais, mas também sabemos que o que fizemos saiu-nos do coração.
Agradecemos à D. Elsy,Javier e toda a família, que sempre nos ajudaram a inculturar-nos no povo e nas coisas de casa.
Agradecemos à D. Floralba, Sr. Jaime e família, Sr. Hermogene e D. Inês, D. Beatriz.
Agradecemos a todas as crianças que nos fizeram sorrir...
Agradecemos ao nosso "perro" Maximo, por ser uma companhia fiel.
Agradecemos ao IMC a oportunidade de viver a Missão neste local.
Agradecemos a Deus por estar sempre connosco...

Quando chegamos, não havia ninguém no molhe para nos receber... Quando partimos, algumas pessoas vieram-se despedir de nós e esse gesto já fez com que a nossa presença valesse a pena!

Aqui ficam alguns rostos desta Missão:



Temporada Puerto Ospina II - é Carnaval!!!!!

Enganam-se os que pensam que o Carnaval é na 3ª feira antes da 4ª Feira de Cinzas... Isso também pensávamos nós!!!!
Para nosso espanto, o Carnaval, conhecido aqui como Carnaval dos Negros e dos Brancos, realiza-se entre 4 e 6 de Janeiro.
Nessa manhã, saí de casa para comprar pão, como diariamente o fazíamos, e vejo um movimento fora do comum no "pueblo", gente a atirar ovos, farinha, alguns a pintarem-se uns aos outros, e achei muito estranho, pois está claro. Acercaram-se de mim e pediram-me se me podiam sujar com farinha: è claro que sim! respondi eu! Cheguei apressadamente a casa para partilhar com a Vivi o sucedido e quase de imediato saímos os dois para passear e aí o ataque foi maior, senão vejam o resultado:











Sem percebermos muito bem, regressamos a casa sabendo que se estava a festejar o Carnaval e muito bem!

No dia seguinte, voltamos a escutar um movimento suspeito, e mais uma vez saímos para ver o que se passava, e surpresa: havia ainda mais gente nas ruas, música e baile. Aí perguntámos o que se estava a passar (novamente) e explicaram-nos que ontem se festejou o Carnaval dos Brancos e nesse dia se festejava o dos Negros. Apenas mais alguns minutos e descobrimos porque se chamava dos negros!!!! Fomos atacados por todas as partes, grandes e pequenos riam-se enquanto nos "marcavam" com cores, farinha e ovos. Tive obviamente que regressar a casa para abastecer o meu pequeno arsenal para também retribuir generosamente aos que se aproximassem! Regressei para a "guerra" e parecia o S. João: dás-me a mim que eu dou-te a ti! Enquanto me divertia a ser pintado, a Vivi já estava em pleno passo de inculturação, pois estava a dar os primeiros passos de dança colombiana com um nativo e aprendeu muito bem! Passado pouco tempo também eu já estava a demonstrar como mal se dança e pareceram impressionados com o meu jogo de cintura e de joelhos: um autêntico desastre!
A tarde acabou com a partilha de um porco assado e mandioca na brasa entre os que participavam no bailarico. Foi uma tarde bem passada!!!

E nós como acabamos o dia? Bem, as fotos falam por si...


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Feliz Navidad e Buen Año Nuevo!

A celebração do Natal começou algum tempo antes da nossa chegada a Puerto Ospina com a decoração das ruas, das casas e dos presépios.

O nosso primeiro trabalho foi ajudar a comunidade a criar o presépio da Igreja, que ficou muito bonito! Nos dias seguintes começamos a rezar com a novena, sempre com a presença de muitas crianças. Claro que estas estão ali para receber um doce no final, mas também é verdade que cantam e animam como só as crianças sabem fazer!

Durante a preparação do Natal e sem saber se teríamos padre para a missa do dia 24 de Dezembro, começamos a ensaiar os cânticos e juntamos as crianças para uma pequena representação. Felizmente acabamos por ter connosco o P. Salvador Medina, que conseguiu passar o Natal cá em casa.

A noite do dia 24 foi muito intensa, começando pela representaçãoo das crianças de um presépio ao vivo, passando pelos três baptizados e terminando na missa de Natal. Foi a Missa do Galo mais preenchida que já tivemos, e os baptismos deram um toque mais real à palavra Nascimento.

Depois de tantas celebrações, e já com a hora adiantada, fomos os quatro para o nosso Jantar de Natal, infelizmente sem bacalhau, mas com rabanadas e a aletria (que também não estavam assim muito bem, mas comiam-se). A tradição na Colômbia é comer Buñuelos e Natilla, mas que também não tivemos. Enfim, o que mais se aproveitou foi a companhia e uma garrafita de Rum, na falta de champagne, wisky, vinho do porto, ou outra bebida qualquer. Mas até que não passamos nada mal!

O presente do dia 25 foi um maravilhoso peixe acabadinho de pescar. Um gesto que não podemos deixar de partilhar convosco. O senhor Xavier, pescador, foi pescar no dia 25 e dos três peixes que conseguiu, deu-nos um. Antes de ir comentou com o Copi: “Se só pescar um dividimos a meio e se pescar dois, um é para vocês!” É de salientar que ele tem família e todos estavam em casa também à espera do peixe para celebrar o Natal. E tenho tudo dito!

Ainda em família, dia 26 fomos almoçar a Palma Roja com a comunidade IMC que celebrava também o encerramento do ano Propedêutico. Felicidades e bom caminho para os dois jovens, que, se Deus quiser, serão futuros Missionários da Consolata.

Com o final destas festas também nos despedimos do P. Salvador e do Fernando. De forma especial fica aqui um agradecimento ao Fernando pela ajuda na integração. Seguimos juntos nesta missão, e claro, com amizade!

Rapidamente se aproximou o Ano Novo. Dias antes não sabíamos o que fazer na noite de 31. Mas, mais uma vez, Deus já tinha tudo planeado. Nesse dia chegou o P. Armando Olaya e o Miguel da comunidade de Palma Roja – Equador. Assim ficou resolvido que se celebraria a Missa com a comunidade. Foi uma celebração simples e bonita, numa noite muito quente e cheia de ritmos. Por estes lados, estas duas festas, principalmente a Passagem de Ano Novo, ou Noche Vieja como lhe chamam, são muito agitadas, a música e a dança estão presentes toda noite e todo o dia. Na noite de 31 a tradição diz que se deve queimar o Homem velho, por isso cada comunidade cria a seu boneco e quando chega à hora juntam-se para vê-lo queimar e assim se despedirem da “ pessoa velha”.

Aproveitamos esta ideia para deixar uma sugestão: comecemos o ano como uma pessoa nova, livre dos pesos do ano que passou e com força para começar tudo de novo. A proposta fica aqui: AMAR ainda mais no novo ano 2011!

Que lo pasen bien!

TEMPORADA EM PUERTO OSPINA - Primeiro episódio!



“Conhecimento da realidade, inculturação, necessidade de acompanhamento da comunidade (devido à ausência do pároco, P. Kennedy M’nthaka, IMC )e algum tempinho para nós", assim foi apresentada a ideia de passarmos alguns meses em Puerto Ospina, missão no rio Putumayo – Amazónia.

A proposta era maravilhosa, sem dúvida uma oportunidade de integração na missão Amazónica que não podíamos perder, mas para melhorar, soubemos que a Igreja da paróquia está dedicada a Nossa Senhora de Fátima. É verdade, não sabemos o porquê de estar aqui a Nossa Senhora, talvez por devoção do padre Bruno del Piero, fundador da paróquia e da casa, mas o que importa é que para nós esta situação só pode ser uma Providência, não acham?!

Para realizar todas as propostas (necessidades) foi formada uma equipa, nós os dois e o Fernando (foto), Missionário da Consolata (Seminarista -Teológico), que para além de ser Colombiano, já trabalhou em localidades próximas (no rio Putumayo), especificamente com indígenas. Outra providência, a primeira vez que vimos o Fernando foi na visita ao seminário Teológico, mas não falamos quase nada, ou nada. Onde nos conhecemos melhor e começamos uma amizade foi durante o Diplomado de Etnias (ver notícia). Estivemos duas semanas a partilhar experiência e adquirir conhecimento, mas sem imaginar que duas semanas depois iríamos trabalhar juntos, viver juntos, realizar e partilhar a mesma missão.

Voltando de novo ao tema da nossa viagem até Puerto Ospina. Como já vos contamos, por aqui as viagens são sempre muito longas, mas também, muito bonitas. Esta não foi diferente, viajamos uma noite e uma manhã (cerca de 15 horas) de autocarro e mais 4 horas de barco pelo rio Putumayo - Amazónia. Aqui foi a parte bonita claro! Podem ver as fotos, mas a realidade é bem mais envolvente, fica o convite!

E para adoçar, algumas dados sobre Puerto Ospina: pertence ao departamento de Putumayo, região da Amazónia. Do outro lado do rio está o Equador, especificamente El Carmen, uma pequena cidade, com mais comércio, e de onde vêm os produtos que se comercializam em Puerto Ospina. Á volta da paróquia vivem cerca de 250 famílias e nas áreas circundantes existem cerca de 9 veredas (pequenas aldeias – famílias). As populações são campesinas e indígenas.

A vida quotidiana é muito pacata, entre a pesca, o trabalho do campo, algum comércio e as “charlas” (conversas) lá se passa o dia. Os ruídos que mais se escutam são as galinhas, os barcos, as crianças e, por volta das 18h, o motor da electricidade. Pois é, só existe electricidade entre as 18h e as 22:30h depois dessa hora é “caminha” (ou ficar no computador, caso ainda tenha bateria, mas aí os mosquitos e mais alguns bichos literalmente, comem-nos!)

Para terminar, fica o resumo do que afinal Deus nos pede por estes lados: acompanhar todos sem exclusão, em todo o sentido da palavra, como onde soubermos e conseguirmos. Anunciando sempre o Evangelho e mantendo acesa a luz do sacrário, a luz da presença de Deus no meio de nós.

Seguimos juntos na oração e no espírito missionário!