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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Celebração dos 30 anos de fundação de Soplin Vargas


Pois é... Foi há 30 anos que as primeiras famílias chegaram a Soplin Vargas com o objectivo de criar uma comunidade atractiva, calma e com toda beleza amazónica. Podemos dizer que o sonho ainda vai no início mas o que importa é caminhar!
Como é costume por estas ocasiões, Soplin Vargas, vestiu-se de gala, com um programa de festividades bem composto. A festa da fundação é uma das datas mais importantes para a comunidade e, por esse motivo chegaram pessoas de todas as comunidades para se juntarem aos festejos. A celebração começou no dia 3 destacando a eleição da “Señorita Soplin Vargas 2012”, uma nativa de apenas 14 anitos de idade que nos deleitou a todos com a sua beleza.
O segundo dia começou com um grande acontecimento: a maratona! E este ano contou com a presença do atleta internacional, um especialista em maratona: o hermano Copi! A expectativa era grande e desde que começou a corrida, o entusiasmo dos que assistiam fazia-se notar quando passava por eles. A maratona correspondia a 10 voltas a um circuito com subidas e descidas, por cimento e terra, num total de aproximadamente 5km. O Copi de tão veloz que começou, rapidamente conseguiu chegar ao último lugar dos cerca de 25 participantes e, contra todas as expectativas, nesse lugar permaneceu até ao final da sua participação: apenas aguentou volta e meia! Aplaudimos o esforço e já deixou a promessa para o próximo ano: “vou terminar a 2º volta!” Depois lhes contaremos....

No dia 5, dia da fundação, a manhã foi ocupada pelas cerimónias oficiais com as autoridades civis e institucionais, com o desfile de todas as instituições, desde os mais pequeninos até aos mais velhos. Seguiu-se o almoço comunitário com todas as pessoas que participam nas festas. A tarde reservou-se para o clássico internacional de futebol Perú contra Colômbia, representada pela comunidade de Nariño. A festa terminou com um concerto de uma banda peruana e naturalmente com muita chicha e muito guarapo (bebidas típicas feitas de milho e mandioca) e muitos falavam em passar a noite a festejar.
Assim se passou mais uma festa, sem incidentes graves, como é característica dos peruanos. Para o ano há mais e Viva Soplin Vargas! Fuertes Palmas!

domingo, 21 de outubro de 2012

Dia Mundial das Missões... a aventura começou há 2 anos!


Parece que foi ontem mas já foi há 2 anos que, na Paróquia de Ermesinde, recebemos o crucifixo missionário, e precisamente no Dia Mundial das Missões.
Hoje recordamos o nosso envio com muita alegria e ao mesmo tempo com saudades de todos aqueles que nos acompanharam nesse dia tão importante para nós.
O envio missionário foi um dos momentos centrais da nossa missão, onde a comunidade cristã nos enviou, em seu nome, a anunciar a Boa Noticia aos Povos. Que responsabilidade!
Sentimos-nos abençoados por tudo o que vamos vivendo nesta missão, e sabemos que só tem sido possível com a vossa oração. O nosso muito obrigado!
O que vamos fazendo, vamos testemunhando neste blog pois acreditamos que " o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos"  ( 1 Jo 1)
Aqui também vos deixamos a memória fotográfica desde esse dia até hoje para que, tal como nós, o revivam e continuem a fazer da Missão um compromisso para a vida!
Feliz Dia Mundial das Missões!











Ao longo destes dois anos...





quinta-feira, 13 de setembro de 2012

De Malas feitas


Como toda a gente sabe, a Missão tem muito que contar, mas no nosso  caso, elevamos essa máxima para outro nível: a Missão tem muito para mudar! J
Como já anunciamos anteriormente, a estadia  em Leguizamo já tinha os dias contados. Como o ritmo por estes lados é tudo menos rápido, e porque não tínhamos barco para levar as coisas a Soplin, tivemos que esperar quase duas semanas. Não estivemos a olhar para o ar: enquanto a Vivi começava a encaixotar e ensacar, o Copi dedicou-se a limpar um pequeno jardim na casa onde estamos a viver, a casa do  futuro bispo de Leguizamo. O resultado? Bem, se olharmos que a experiência jardineira do Copi é digamos… quase nula, parece que até ficou jeitoso.


Normalmente quando as pessoas se mudam chama-se o carro das mudanças, mas no nosso caso temos de chamar o “cochero”, um cavalo que puxa uma carroça! E assim fizemos na passada terça-feira, contudo, quando começamos a carregar logo começou a chover. Não tivemos mesmo sorte! E para ajudar, a chuva aumentou de intensidade assim que começamos a tirar da carroça para o barco... Já com o barco bem carregadinho, seguimos rumo a Soplin.



A principal questão que nos colocamos à chegada foi: quem nos iria ajudar a levar tudo para o hospital, que fica mais ou menos a uns bons 600 metros subindo, descendo e voltando a subir? Como já tínhamos recebido o “castigo” ao carregar, recebemos a recompensa ao descarregar pois apareceram cerca de 15 alunos do colégio para ajudar. Ao principio parecia boa vontade, mas depois lá confessaram que o que queriam era ausentar-se das aulas pois a professora era um pouco má… Afinal os alunos são iguais em todo o lado!!!! Depois de 2 horas indo e voltando lá terminamos cansados e agradecidos pela preciosa ajuda.
Durante os primeiros dias dedicamos essencialmente à limpeza, arrumação e claro, passeios pelo povo cumprimentando as pessoas.
Quando chegamos estavam a trabalhar no hospital o enfermeiro Cirilo e o técnico administrativo Darwin. O resto do pessoal médico tinha saído para visitar as comunidades, ao que chamam Brigada de Saúde. Neste momento já nos encontramos todos, ou seja, dois médicos, Dra. Rosário (responsável), e o Dr. José, uma dentista, Dra. Patricia e um técnico de farmácia, Linder. Sim, parece realmente muita gente, e até somos, contudo as necessidades superam o pessoal e a falta de condições é sempre o maior entrave.
Em relação ao nosso trabalho específico com a comunidade católica, de agora em diante vamos continuar com as Celebrações da Palavra aos sábados, o Rosário ás quintas-feiras, e a preparação de um pequeno coro.
E é desta forma, simples e um pouco lenta, que vamos tentando realizar a missão por esta selva.
Fiquem atentos a mais novidades!


terça-feira, 21 de agosto de 2012

O regresso à Missão


Após uma renovante passagem por Portugal estamos de volta à Colômbia para a segunda parte da nossa Missão. Antes de retomarmos as partilhas sobre a missão queremos deixar aqui um grande abraço e um “bem hajam” a todas as pessoas que nos receberam com tanto carinho, aos que nos ajudaram de uma maneira ou de outra, e às imensas palavras que tanto nos fortaleceram.
E voltando ao tema, depois de passarmos uns dia na capital Bogotá, lá voltamos a fazer as malas rumo ao sul da Colômbia, Leguizamo, e de volta ao ritmo da selva amazónica. Só passaram 3 meses desde que saímos desta cidade mas parece que foi mais tempo pois a mobilidade é impressionante, muitas pessoas que foram embora e tantas outras que chegaram de novo. Mas cá estamos preparados para novas amizades.
Voltar à missão também significa voltar aos encontros de trabalho, às programações, enfim, momentos importantes de convívio entre os missionários, mas também de comunhão no trabalho a realizar. Na passada segunda-feira, encontramo-nos em Leguízamo os missionários e as missionárias deste vicariato envolvidos com a pastoral indígena: de La Tagua veio o P. Peter, Ir. Idefonsia, Ir. Paulita e Ir. Afra, de Leguizamo o P. Pinilla, P. Jair, Ir. Graça, Ir. Enilse e Ir. Gianita) e claro, nós os dois com o P. Kim a representar Soplin Vargas Foi uma boa forma de iniciar este novo período na Missão, onde ouvimos as experiências e programamos o futuro.
Durante o almoço tivemos oportunidade de saborear umas entradas muito típicas... de Portugal! È que estes tugas não se esqueceram de trazer do que de melhor o nosso país tem, a comidinha. Foi pouquinho mas delicioso: presunto, bacalhau, salpicão e queijo. A verdade é que o que se tinha preparado para o almoço quase não se comeu, contudo todos ficamos muito satisfeitos, até aqueles que provavam pela primeira vez os sabores tradicionais. Para terminar, claro que apareceu a nossa tão querida D. Antónia, que se sacrificou para todos degustarem um bom vinho do Porto.
Os próximos planos serão fazer uma visita a Soplin para verificarmos aquilo que iremos precisar e no final do mês atravessarmos o rio com a casa às costas e finalmente ficarmos a viver em Soplin Vargas.

Façam figas para que tudo corra bem e quando nos mudarmos cá contaremos as peripécias que certamente se passarão.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Visita às comunidades na Semana Santa

É sempre uma alegria voltar à comunidade de Soplin Vargas, e fazê-lo por ocasião da Páscoa de Ressurreição torna a satisfação ainda maior. Este ano decidimos visitar algumas comunidades peruanas que se encontram ao longo do rio Putumayo, a caminho de Soplin. 


Depois de uma semana de preparativos começamos as visitas no Domingo de Ramos numa comunidade chamada Lupita que mesmo em frente a Puerto Leguizamo. Saímos depois do pequeno almoço e aí celebramos os Ramos com a comunidade, e estiveram presentes cerca de 20 pessoas. Devido à proximidade que estávamos de Leguizamo, aproveitamos para voltar à hora de almoço e partilhar o almoço em casa das Irmãs da Consolata, juntamente com os Missionários da Consolata aí de Leguizamo. Entre as delícias servidas, destacamos as bem portuguesas amêndoas de Páscoa e a garrafinha de vinho do Porto Ferreirinha, a Ir. Graça Lameiro gosta de nos mimar e, sobretudo o Copi, agradece este tipo de mimos!!!!




Depois do almoço, partimos no nosso barquinho rio abaixo em direcção a Miraflores. Esta é uma comunidade onde vivem perto de 16 famílias. Chegamos ao final da tarde e a grande dificuldade desta "vereda" é o caminho de pura lama que se tem de atravessar até chegar às casas e, como era necessário descarregar todas as provisões do barco, contamos com as crianças como as nossas  grandes aliadas. Nessa tarde visitamos todas as famílias convidando-as a participar na Missa do dia seguinte. Ficamos instalados numa das casas onde simpaticamente nos receberam. Pela manhã, bem cedo, celebramos a Eucaristia com todas as crianças e com algumas famílias: um momento bonito de partilha. No final da Eucaristia, toca a carregar tudo outra vez para o barco e despedirmos-nos de todos com um "até breve!". De todas crianças, ajudantes sempre fiéis, uma teve especial impacto no Copi, aqui fica a foto dos novos amigos (isto porque a criança nem sabia o que tinha vestido :) )



Com mais meia hora de rio chegamos a Nueva Peneya, uma pequena comunidade onde vivem cerca de 7 famílias. Quando chegamos não estava ninguém mas, livremente, decidimos nos instalar na Casa Comunal e esperar que chegassem os "donos da terra". Lá para o final da manhã apareceram duas pessoas que nos explicaram que os restantes tinham ido a Soplin e só regressariam pela noite. Como estava na hora do almoço tivemos de improvisar uma fogueira e preparar uma boa comida. Aproveitando que estávamos sozinhos, decidimos colocar as "lavagens em dia", isto inclui roupa e uma fresquinha banhoca no rio. As famílias chegaram já ao entardecer e como não existe luz nem geradores, decidimos celebrar a Eucaristia no dia seguinte, outra vez muito cedo e com toda a comunidade. Depois da celebração tiramos uma foto para a prosperidade e para mais tarde recordar.




Chegados a Peneyta, a tensão era grande para o Copi, pois a última vez que lá esteve um cão pouco "católico" decidiu atacá-lo. Felizmente ao chegar fomos informados que esse mesmo cão já tinha partido, ficamos sem saber exactamente para onde, mas o importante é que o Copi podia circular com tranquilidade no povo. Esta comunidade é composta maioritariamente pela família do animador local, D. Guillermo. Tal como Miraflores, aqui também contam com um professor residente que lecciona os diferentes níveis de aprendizagem  de acordo com as crianças que frequentam a escola primária. Explicando brevemente esta problemática: são poucas as comunidades que contam com uma escola, e as que têm o edificío nem sempre têm o professor, infelizmente, e por muitas razões, os professores não chegam a estas comunidades.


Mas, voltando ao nosso tema, depois de instalados na casa comunal, celebramos a Eucaristia com os presentes que, no final, nos brindaram com um jantar especial onde a grande novidade era o peixe cão (não sabemos porque o chamam assim mas que não ladrou no prato não ladrou!) E à medida que o sol desaparecia e chegava a noite cada um instalou-se na sua "hamaca" (rede), infelizmente nessa noite tivemos a presença de um casal de morcegos que fizeram o favor de não nos querer deixar dormir, mas enfim, são os sons da natureza ao vivo. 






Foi muito significativo para nós visitar estas comunidades onde, de uma maneira ou outra, experimentamos a vida como a vivem os indígenas, a solidão de chegar e não encontrar ninguém, e sobretudo experimentamos a alegria daqueles que se encontram connosco e que nos receberam tão bem! De cada comunidade saímos com a alegre sensação de missão comprida e com a esperança de voltar brevemente. 





terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

É Carnaval!!! E em Licto (Equador) ninguém levou a mal.


Como tem sido constante, grandes coisas vão passando pelo neste caminho missionário. Onde quer que vamos acontece sempre algo digno de memória e que aqui partilhamos.
Durante este mês de Feveiro tivemos a oportunidade de estar em Licto (na serra equatoriana) onde a Vivi está  a fazer uma investigação (para a bendita tese) junto dos Indígenas Puruhá-Kichwa.
Já é a segunda vez que estamos em Licto, pois faz um ano estivemos aqui a participar no III Encontro Internacional Indígena (temos a notícia aqui no blog se quiserem espreitar). 


Por estes lados o Carnaval é uma grande e importante festa, principalmente entre os Indígenas desta região. Por esse motivo juntamos trabalho e prazer ao marcar esta viagem de forma a conhecer esta bonita festa. Segundo um site de Riobamba (capital do departamento ao qual pertence Licto) esta é a definição de Carnaval:


"O Carnaval por este lados  é uma das festas mais importantes. Esta celebração, produto do sincretismo, encontra-se submersa e enraizada em muitos lugares, caracterizando-se como o espaço e o tempo de reencontro das comunidades no seu local de origem. Esta celebração tem duas grandes correntes opostas mas complementares que a tornam única. Por uma parte o Carnaval mestiço, de origem espanhola e de alto contexto popular-religioso; e por outro lado, o andino que recria aspectos quotidianos da vida e do universo. Manifestam-se  com jogos cerimoniais e rituais purificadores com água, que ao fundir-se com cantos, música, dança, comidas, bebidas e vestimentas próprias do Carnaval Andino, convertem a festa da abundância na mais autentica do Equador e modelo característico da interculturalidade e por isso acreditam que é Património Intangível do Equador." (www.goriobamba.com)


Segundo um indígena Puruhá a definição correcta para descrever o carnaval é "Solidariedade com os que têm menos e de reconciliação entre as comunidades".

A verdade é que, depois da experiência o ano passado em Puerto Ospina (notícia), e a fama deste chamado "Carnaval dos Indígenas" de Licto, as expectativas eram muitas e por isso decidimos prepararmo-nos bem: aqui as "armas" foram estas garrafas de espuma que temos na mão. 

(foto: Missão IMC Licto)

Ao contrário dos outros dias que Licto parece um lugar fantasma, durante estes dias de Carnaval  a aldeia encheu-se de gente que chegava de diferentes lugares para festejar e assistir, de forma particular, ao desfile de carnaval. E claro todos que saíram à rua a regra era: sujar e deixar-se sujar! 
Os que desfilavam tornavam-se os alvos preferidos enquanto tentavam desesperadamente seguir as coreografias. Ao longo do desfile, que durou cerca de 4 horas, estes foram literalmente atacados com espuma, água e mãos cheias de tinta que apareciam de todos os lados.
Aqui ficam algumas fotos do desfile, e, para além do claro exagero de espuma, reparem nos diferentes vestidos tradicionais, uma maravilha cultural!


Gostaram?
E como bons missionários a inculturação é um factor muito importante, por isso toca a "jugar a los Carnavales"!



Até à próxima!